As dúvidas que mais chegam ao atendimento, respondidas de forma direta por
Carol Romero, maquiadora especialista em pele negra em São Paulo.
Por que a base fica cinza ou esverdeada na pele negra?
Porque o subtom foi ignorado. Tom e subtom são coisas diferentes: o tom é o quanto a
pele é clara ou escura, e o subtom é a temperatura por baixo dela, quente, fria ou neutra.
Uma base com o tom certo e o subtom errado deixa a pele acinzentada ou puxando para o
verde, mesmo parecendo correta no rótulo da loja. É o erro mais comum e o mais caro,
porque leva a comprar produto atrás de produto sem resolver.
Como descobrir o meu subtom de pele?
Comparando a pele com referências neutras sob luz natural, nunca sob a luz amarela de
loja ou de banheiro. As regras de internet do tipo olhar a cor da veia do pulso falham em
peles mais escuras, porque a veia fica pouco visível. Um caminho prático é testar duas
bases do mesmo tom, uma quente e uma fria, na linha do maxilar, e observar qual some na
pele em vez de aparecer.
Como fazer a maquiagem durar o dia inteiro em pele negra?
A duração começa antes da base, no preparo. Pele mal hidratada absorve o produto e
craquela; pele com excesso de oleosidade empurra o produto e ele desliza. O preparo certo
é o que faz a base virar suporte e não peso. Depois disso, a fixação depende de camada
fina, construção por etapas e retoque com pó só onde realmente precisa, e não no rosto
inteiro.
O que muda na maquiagem de noiva para pele negra?
Muda a margem de erro. O vestido branco reflete luz e denuncia qualquer base com subtom
errado, e o dia dura de doze a quinze horas entre cerimônia, fotos e festa. Por isso a
prova de maquiagem antes do casamento não é luxo: é onde se acerta cor, textura e
acabamento com calma, para o dia não virar teste.
O que procurar numa maquiadora especializada em pele negra?
Três coisas concretas. Se ela sabe explicar o seu subtom, e não só dizer o tom. Se o
portfólio tem peles na mesma faixa da sua, em luz variada, e não só uma foto editada. E se
ela trabalha com preparo de pele antes da base, porque é aí que a maquiagem em pele negra
ganha ou perde. Especialização aqui é técnica, não é discurso.
É possível aprender a se maquiar sozinha?
Sim, e o caminho é método, não tutorial solto. O que costuma travar é copiar um passo a
passo feito para outro rosto e outro tom de pele. Com o subtom identificado, o formato do
rosto entendido e uma rotina curta o suficiente para repetir num dia comum, a maquiagem
deixa de depender de inspiração e vira algo que você faz em minutos.
Quem responde
Carol Romero é maquiadora profissional e diretora de beleza em São Paulo,
na profissão desde 2009. Escreveu Dicas de Maquiagem para Pele Negra (Soul Editora,
2019), o primeiro livro brasileiro dedicado ao tema. Assinou beleza em capas de GQ Brasil,
Billboard e Marie Claire, trabalhou com Fenty Beauty, Lancôme e L'Oréal, e recebeu dois Leões
em Cannes, em 2021 e 2023. Formada pelo Instituto Embeleze e pelo SENAC.
Onde ela aparece
- Marie Claire, 2019: citada na reportagem Corrente da Admiração.
- Negrê, 2024: assina as dicas de beleza e cuidado com a pele para o Carnaval.
- Steal The Look, 2021: entre as especialistas em maquiagem para pele negra do Brasil.
- Mundo Negro: cobertura do lançamento do livro.